Jordânia — Um modelo de excelência em Turismo de Saúde no Oriente Médio
Como um pequeno país se tornou referência mundial em acolhimento, qualidade e governança em saúde?
Quando se fala em Turismo de Saúde, é natural pensar em destinos como Tailândia, Costa Rica ou Turquia.
Mas há um país que, de forma consistente, aparece entre os melhores exemplos globais de estrutura e confiança: a Jordânia.
Com uma população de pouco mais de 11 milhões de habitantes e uma área de aproximadamente 89 mil km², a Jordânia conseguiu construir uma marca nacional de excelência médica, unindo política pública, acreditação hospitalar e hospitalidade árabe.
O resultado: o país recebe centenas de milhares de pacientes estrangeiros por ano, provenientes sobretudo do Oriente Médio e Norte da África, além de outros mercados, inclusive a Europa Oriental. Relatórios recentes falam em mais de 224.000 turistas de saúde em 2024.
A estratégia nacional: saúde como ativo econômico e diplomático
O sucesso jordaniano não é acidental. Ele nasce de uma política de Estado que entende a saúde como parte da diplomacia econômica e da imagem internacional do país.
O governo jordaniano, por meio do Ministério da Saúde e da Jordan Tourism Board, estabeleceu uma estratégia integrada com três pilares:
- Acreditação e qualidade hospitalar— O Conselho de Acreditação em Saúde da Jordânia (HCAC) estabeleceu padrões nacionais de qualidade alinhados às melhores práticas internacionais (como a JCI), elevando o nível das instituiçõ Além disso, cerca de sete hospitais jordanianos são acreditados diretamente pela JCI.
- Parcerias público-privadas— Hospitais, clínicas e universidades trabalham juntos para promover o país em feiras, congressos e plataformas digitais globais.
- Hospitalidade e cultura de acolhimento— Os serviços médicos são complementados por uma experiência turística segura e humanizada, apoiada por infraestrutura hoteleira de alto padrã
Perfil dos pacientes internacionais
Os pacientes que viajam à Jordânia buscam principalmente:
- Cirurgias cardíacas, ortopédicas e oftalmológicas;
- Tratamentos de fertilidade e reabilitação;
- Cirurgias plásticas e procedimentos dermatológicos;
- Terapias com águas minerais do Mar Morto, reconhecidas por suas propriedades terapêuticas.
De acordo com observadores e analistas do mercado de Turismo de Saúde, o custo médio desses procedimentos é 30% a 50% menor do que nos EUA ou na Europa Ocidental, com níveis de qualidade equivalentes.
Isso faz da Jordânia um exemplo de eficiência clínica e competitividade ética, sem recorrer a práticas comerciais predatórias.
Localização e conectividade: a geografia como vantagem
A capital, Amã, tornou-se um hub regional. Com voos diretos para dezenas de países e uma rede de clínicas próximas ao aeroporto, a logística é fluida — algo essencial para pacientes que necessitam de conforto e previsibilidade.
A proximidade com o Mar Morto e com sítios históricos como Petra também permite combinar tratamento e recuperação em ambiente turístico.
Além disso, o país investiu em infraestrutura digital, facilitando a pré-consulta e o acompanhamento pós-tratamento por telemedicina — um modelo que antecipa tendências da saúde conectada.
O impacto econômico e reputacional
Segundo perfis oficiais do setor, o segmento de saúde e bem-estar responde por cerca de 10% das receitas turísticas do país, enquanto o Turismo médico hospitalar movimenta mais de US$ 1 bilhão ao ano, gerando empregos e fomentando a inovação hospitalar.
O modelo jordaniano demonstra que a cooperação entre Estado e setor privado é o caminho para construir um ecossistema sólido, onde a confiança e a reputação valem tanto quanto a tecnologia.
Lições para o Brasil e a América Latina
O caso da Jordânia oferece lições valiosas para países em desenvolvimento que desejam estruturar programas de turismo médico:
- Governança integrada— É essencial que ministérios da Saúde, Turismo e Relações Exteriores atuem de forma coordenada.
- Certificação e acreditação nacional— Um sistema local de qualidade confere autonomia e identidade.
- Promoção ética e segmentada— Evitar publicidade sensacionalista e apostar em credibilidade institucional.
- Acolhimento multicultural— Treinamento em idiomas e diversidade cultural são diferenciais decisivos.
- Infraestrutura de apoio— Transfer, hospedagem e suporte pós-operatório devem estar incluídos na proposta de valor.
Conclusão
A Jordânia provou que excelência médica e hospitalidade podem ser políticas de Estado.
Seu exemplo demonstra que o Turismo de Saúde bem planejado é capaz de fortalecer economias, construir reputações e gerar impacto social positivo.
Mais do que atrair pacientes, trata-se de construir confiança — e isso, como mostram os jordanianos, é um ato nacional de hospitalidade.
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